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O Futuro em Duas Palavras: Open Banking

Imagine entrar no seu aplicativo de mensagens favorito e ver seu saldo em todos os bancos em que você tem conta, e ainda receber uma notificação de que seu salário já caiu.

Você também poderia receber um lembrete da sua operadora de telefonia, de luz, água, ou qualquer outra conta, avisando que a fatura está chegando e que, com um clique, ela seria paga e debitada do seu banco.

Imagine que você pudesse transferir dinheiro diretamente para um conhecido com esse mesmo app de mensagens, ou mesmo cobrar uma transferência dele. E se você precisasse de dinheiro e, com um clique, pudesse ver quatro propostas de empréstimo, de quatro bancos, competindo por você?

Se estivéssemos nesse mundo, você nem precisaria abrir seu aplicativo do banco. Pode parecer futurologia, mas, a partir de 2022, tudo isso será não só tecnicamente possível, como também muito provável no Brasil.


É o advento do open banking


De maneira simplificada, open banking é a abertura digital do sistema financeiro e das informações dos usuários, que permite a participação de atores não tradicionais neste mercado, com o objetivo de criar serviços inovadores e muito mais competitivos.

É o reconhecimento de que os dados são do cliente, e ele pode dar acesso a quem ele achar conveniente em busca de melhores e mais eficientes serviços.

Esta abertura se dá por meio de APIs (application programing interfaces), o equivalente de um plugue de tomada-padrão, em que diferentes sistemas de bancos, fintechs e outras empresas podem se conectar e trabalhar de forma integrada.

Um estudo da Bain & Company analisou mais de dez países onde essa tendência é realidade, e focou em cinco países e regiões onde o avanço foi maior.

Diferentemente do que se poderia esperar, o sucesso do open banking não é definido por uma regulação forte, que obrigue os bancos a abrir seus dados, mas, sim, por um conjunto amplo de fatores.

O primeiro fator é haver um esforço de padronização da comunicação entre os bancos por meio de suas APIs. Nas geografias de maior sucesso do open banking, há um ente governamental ou privado que cria um padrão de comunicação entre os bancos participantes, o que acelera fortemente a adoção.

Um exemplo é o Reino Unido, onde, após um início relativamente lento e sem padrões claros, hoje existe clareza de padrões. Já são mais de 700 milhões de acessos de dados por mês, sinal de forte adoção, em um país com aproximadamente 50 milhões de pessoas com contas bancárias.

O segundo fator é a participação clara e proativa dos grandes bancos, com foco em inovação. Em Cingapura, por exemplo, dois dos maiores bancos locais possuem mais de 300 APIs cada um, e construíram fortes ecossistemas de parcerias ao redor das suas ofertas bancárias. O interessante é que isso pode acontecer por obrigação regulatória (caso da Inglaterra) ou por pressão competitiva (caso de Cingapura).

O terceiro fator é “sanitário”: um bom arcabouço de proteção de dados do cliente, autenticação e segurança. Na maior parte das vezes, isso acontece por exigências regulatórias, nem sempre associadas a serviços financeiros. Na Índia, o Aadhaar, sistema digital de identificação de pessoas, foi iniciado em 2009. Hoje já possui mais de 1,2 bilhão de cadastrados e acelerou a adoção dos serviços financeiros digitais.

O último fator é a existência de um forte ecossistema de inovação, com startups, fundos de venture capital e grandes empresas de tecnologia, que possuam capacidade de explorar as diferentes oportunidades do open banking.

Na Inglaterra, foram mais de 360 rodadas de investimentos em fintechs em 2020, no meio da pandemia. Em Cingapura, há forte presença de players de tecnologia, como a Grab (aplicativo de entregas), que vêm criando múltiplas parcerias.

No Brasil, o open banking está em voga por causa da regulamentação do Banco Central, mas é importante ressaltar que, aqui, há forte presença de todos os quatro fatores. Primeiro, os grupos de trabalho do open banking já trabalham de acordo com padrões de comunicação e publicam as diretrizes em portal público dedicado.

Segundo, oito dos dez maiores bancos já possuem portais de desenvolvedores, ainda que em estágios diferentes de maturidade.

Terceiro, o Brasil possui um sólido sistema legal de sigilo bancário.

Por último, o País tem um forte ecossistema de inovação: foram mais de 50 rodadas de investimentos em fintechs em 2020, o que representa 15% de todas as rodadas de startups, ante apenas 11 em 2012.

Por isso, é seguro dizer que o open banking deve ter uma acelerada adoção no Brasil.

E quais os casos de uso têm adoção mais rápida e mais bem-sucedida? Nosso estudo mostra que o open banking tem proporcionado inúmeras oportunidades, tanto para melhorar os modelos de negócios existentes quanto para desenvolver novos modelos e oportunidades.

Nos modelos de negócios existentes, vemos oportunidades para facilitar a jornada de cliente e melhorar os modelos ao longo da jornada de crédito.

O PayPal (NASDAQ:PYPL) (SA:PYPL34), na Europa, alavanca APIs de open banking para garantir a identidade do cliente e facilitar seu onboarding.

A Fractal Labs, no Reino Unido, ajuda bancos a oferecer experiências de crédito melhores às pequenas e médias empresas (PMEs), com acesso a todas as contas bancárias das empresas, para melhorar seu “score de crédito”. Players como a Friendly Score ajudam bancos a melhorar seus processos de cobrança, por meio de APIs.

Nos modelos inovadores, a oportunidade está em ampliar os pontos de contato com o cliente e estabelecer novas interfaces.

O Deutsche Bank (DE:DBKGn) (SA:DBAG34), na Europa, construiu diversas parcerias para expandir serviços para as PMEs, como um agregador de contas bancárias e recomendações personalizadas.

O DBS (SI:DBSM), de Cingapura, criou fortes ecossistemas de parcerias na vertical automotiva, que permitem ao cliente comprar seu carro, financiá-lo e segurá-lo em um único ambiente; residencial, com um app que ajuda o cliente a avaliar preços de casas semelhantes; e serviços educacionais, como descontos em cursos e tutores, por meio da plataforma do banco.

Na Inglaterra, todos os grandes bancos, como o RBS e o HSBC (LON:HSBA) (SA:H1SB34), já oferecem agregação. Assim, os clientes podem verificar todas as suas contas em um único aplicativo de banco.


Bons exemplos não faltam. É hora de dar espaço para a grande abertura do sistema financeiro no Brasil.


Fonte: Investing.com, por André Mello.

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