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Especialistas comentam as principais tendências do setor de tecnologia para 2021


Em 2020, a Covid-19 acelerou a implantação de tecnologias que já estavam sendo desenvolvidas no país, e que antes da pandemia eram vistas com ressalvas.

Junto a isso, o desenvolvimento tecnológico para o combate ao coronavírus foi recorde.

As resistências antes encontradas em setores mais tradicionais foram quebradas devido ao risco de colapso das atividades básicas.

O ano que passou foi de intensa e acelerada adaptação  aos novos recursos digitais.

O cenário de 2021 deve seguir acelerado, contando, também, com o aprimoramento de muitas tecnologias desenvolvidas no último ano.

Silvio Kotujansky, head de  Inovação e Novos Negócios da Associação Catarinense de de Tecnologia (ACATE), explica que esse crescimento exponencial visto em diversas áreas será permanente:

“As mudanças drásticas nos processos de inovação e digitalização aconteceram para que todos pudessem se adequar o mais rápido possível à nova realidade e muitas dessas inovações vieram para ficar, como a telemedicina, que sequer era regulamentada no Brasil”.

“O varejo, um dos setores mais impactados no início, também teve uma evolução muito forte, com expansão do e-commerce, processos sofisticados e eficientes de logística e entrega sem contato físico”.

“Além disso, as tecnologias que já vinham sendo aceleradas, como Inteligência Artificial, Data Analytics, Internet das Coisas, Automação industrial, capacidade de serviços em nuvem, entre outras, vão ganhar ainda mais força”.

Confira as principais tecnologias apontadas como tendência por especialistas do setor:

Meios de pagamento

As fintechs que oferecem serviços de pagamentos serão destaque este ano.

Em 2020, de acordo com o Inside Fintech, da Distrito, Meios de Pagamento foi a terceira categoria que mais recebeu investimentos dentro do setor, captando US $251 milhões ao todo.

De 2019 para 2020, a variação no valor investido nessas startups foi de 2612,01%.

Uma razão para isso foi o crescimento na busca por tecnologias touchless, que reduzem o risco de exposição aos vírus e bactérias.

Eládio Isoppo, CEO da fintech Payface, de Florianópolis, observa:

“O pagamento sem contato oferece aos consumidores uma forma de pagar mais segura e rápida, assim como mais controle sobre sua proximidade com os outros”.

“Com a preocupação ao redor do contato físico, a adoção de novas formas de pagamentos — como o reconhecimento facial, as tecnologias de aproximação e o novo PIX —, tende a acelerar ainda mais”.

Open finance

Outra tendência é o open finance, cenário em que além dos bancos, várias organizações podem oferecer produtos financeiros, obedecendo a regulações pré-estabelecidas.

No open finance, o cliente será dono de seus próprios dados.

Guilherme Verdasca, CEO da fintech open banking Transfeera, de Joinville, comenta:

“Essa abertura do sistema financeiro vai permitir um acesso a dados nunca antes visto pelas fintechs brasileiras”.

“Os grandes bancos têm hoje o que pode ser considerado um monopólio de dados, devido à concentração de consumidores”.

“Quando há uma abertura, ou seja, o cliente pode escolher compartilhar suas informações bancárias com qual instituição escolher, sendo ela fintech ou não, passa a existir uma expansão do mercado, gerando mais competição e possibilitando a entrada de novos players, com novos serviços e novas tecnologias que vão revolucionar o dia a dia do consumidor”.

Educação digital

A paralisação de aulas presenciais levou empresas e instituições de ensino a migrarem suas atividades para o digital.

Com isso, novas tecnologias e metodologias educacionais ganharam destaque, especialmente na educação corporativa.

Sueli Andrade, especialista em EdTech do DOT digital group, empresa de Florianópolis de educação digital especializada no mercado corporativo, identificou seis tendências para 2021: autonomia, Learning Experience Platform (LXP), Learning Management System (LMS), microlearning, ferramentas digitais para a área de Recursos Humanos e gamificação.

Trabalho remoto

Desde o início da quarentena, 46% das empresas brasileiras adotaram o trabalho remoto, de acordo com o estudo elaborado pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

A adoção ao modelo ainda deve crescer ao menos 30% no país após o fim da pandemia.

Para isso, é necessário fazer algumas adaptações também no modelo de gestão.

Marciano Verdi, CEO do Befective, solução que ajuda empresas e colaboradores a gerenciar e analisar o tempo de trabalho de forma inteligente para aumentar a produtividade, comenta:

“As tecnologias que facilitam esses processos de trabalho à distância devem se tornar ainda mais essenciais em 2021”.

“Ter uma solução que permita a comunicação transparente entre gestão e equipe é fundamental para manter a produtividade e alcançar os objetivos estratégicos da empresa”.

Telemedicina

A expansão do uso da telemedicina no Brasil, em ritmo acelerado durante a pandemia, fez com que mercado e pacientes identificassem vantagens nesse conjunto de sistemas, como avalia Cleiton Kuhnen, executivo comercial da Supero Tecnologia,  empresa de Blumenau de soluções em TI com 17 anos de atuação.

Kuhnen observa: 

“A telemedicina permite ao médico ampliar a relação com o paciente e facilita atendimentos relacionados à promoção da saúde e adesão aos programas de cuidados, influenciando positivamente a sinistralidade para os planos de saúde”,

“Como exemplo o uso mais massivo da teleconsulta. Dessa forma, o médico tem mais chances de identificar doenças em estágio inicial, como câncer, aumentando as chances de recuperação do paciente e evitando, por parte das operadoras, gastos com um tratamento mais longo ou até cirurgia”.

Gestão de pessoas

Em um cenário de isolamento, com toda a equipe em casa, o setor de gestão de pessoas precisou se readaptar e entender como se manter próximo dos colaboradores mesmo à distância.

Para Michelly Dellecave, CMO da Pulses, startup de Itajaí que tem soluções de clima organizacional, esse cenário acabou trazendo uma preocupação maior com as pessoas:

“Este cenário mostrou a importância de escutar a equipe e realizar ações que promovam uma melhor experiência para todos”.

“A pandemia mostrou que, em um cenário onde tudo muda o tempo todo, é necessário adotar uma gestão de pessoas contínua, medindo sempre clima, engajamento e performance”.

“Não faz mais sentido só ter esses indicadores uma vez por ano. Os líderes precisam ter dados para realizar diagnósticos e ações ágeis, sempre em prol das pessoas. Essa é uma tendência que certamente veio para ficar”.

Fonte: Noticenter

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