Síndrome de Gérson
05/01/2018


Em algum lugar do Oriente, um Rei resolveu criar um lago diferente para as pessoas do seu país. Ele decidiu criar um lago de leite!

Ele então providenciou a escavação do grande buraco, e pediu para que cada morador contribuísse com apenas um copo de leite, já que com a cooperação de todos, o lago seria facilmente preenchido.

Na manhã seguinte, entusiasmado, o Rei caminhou até o lago para admirar o resultado, mas qual não foi a sua surpresa, quando viu o lago cheio de água e não de leite.

Intrigado, ao consultar o seu conselheiro, este comentou que o problema acorrera porque todos os moradores tiveram o mesmo pensamento: “No meio de tanta gente, se apenas o meu copo de leite estiver cheio de água, não vai fazer muita diferença, e ninguém vai notar”.

Segundo dados da “The Conference Board”, o índice de produtividade no trabalho do Brasil equivale a um quarto (24%) daquela observada em países do “primeiro mundo”. Existem vários fatores que contribuem para este índice medíocre, incluindo o cenário econômico dos últimos anos, contudo, grande parte disso vem do pernicioso “jeitinho brasileiro”, da malandragem corporativa, da Síndrome de Gérson, onde “o negócio é levar vantagem em tudo, certo?”. ERRADO!

Gérson de Oliveira Nunes foi um dos melhores meio-campistas da história do futebol brasileiro e sua participação foi fundamental na conquista da Copa do Mundo de 1970. Famoso, no ano de 1976, Gérson participou de uma campanha publicitária dos Cigarros Vila Rica, na qual sua fala final era: “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro?”, e em seguida, com um sorriso maroto, disse a infame frase que, descontextualizada, se tornou o jargão oficial dos malandros, espertalhões, das propinas em malas e cuecas, da enrolação no trabalho, e da generalizada falta de ética:

“Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. E até hoje “levar vantagem em tudo” virou sinônimo de Gérson, e daí vem essa infame síndrome que leva o seu nome, e que representa tão propagado “jeitinho brasileiro”.

Quando falamos em resultados, precisamos considerar pelo menos três pontos muito importantes:

O primeiro é que os melhores resultados só podem ser conquistados em equipe. Como disse Airton Senna, “Eu sou parte de uma equipe. Então, quando venço, não sou eu apenas quem vence. De certa forma termino o trabalho de um grupo enorme de pessoas!”.

O segundo é que para que uma equipe se relacione abertamente, trabalhe bem, e conquiste os melhores resultados, é preciso que haja relações de confiança, onde imperem a autenticidade, transparência, honestidade, integridade, ética, interesse e cuidado genuíno entre as pessoas, e capacidade de realização (acabativa).

E o terceiro é a determinação em buscar fazer o melhor, e não apenas o possível. Você já percebeu que quando solicitamos que alguém faça alguma coisa, em geral, a resposta que recebemos é “Eu farei o possível”? É como dizer “Eu farei o que der pra fazer; o que estiver ao meu alcance. Já mandei o e-mail. Sempre foi feito assim. Sou pago pra fazer desse jeito. Não é da minha área”.

O fato é que ninguém chega aos melhores resultados fazendo o possível; se quisermos realmente fazer a diferença, cada membro da equipe precisa dedicar-se a fazer o melhor! E fazer o melhor não significa perfeição, mas fazer tudo o que estiver ao seu alcance, utilizando o máximo dos recursos disponíveis naquele momento, para que o melhor, e não apenas o possível, se estabeleça.

Enganam-se aqueles que adotam a Síndrome de Gérson, quando pensam estar sendo beneficiados de alguma maneira pela suposta malandragem, porque sem perceber transformam-se em zumbis corporativos, desmotivados pela própria falta de comprometimento, e frustrados por nunca realizarem algo grandioso.

Portanto, “o negócio é levar vantagem em tudo, certo”? ERRADO!

O melhor negócio é conscientizar-se de que os melhores resultados só acontecem em equipe, que agir com transparência, honestidade e interesse genuíno pelas pessoas é o que une as equipes, e que somente nos realizaremos como seres humanos, profissionais e equipes quando cada um de nós fizer o seu melhor, então, faça a sua parte!

(*) Marco Fabossi é Conferencista, Escritor, Consultor, Coach Executivo e Coach de Equipe, com foco em Liderança. Sócio-diretor da Crescimentum – Alta Performance em Liderança, que tem como missão: “Construir um mundo melhor, transformando pessoas em líderes extraordinários“.

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