MODELO “PATRÃO-PEÃO” TRAVA SUCESSÃO EMPRESARIAL FAMILIAR
31/08/2017


EMÍLIO DA SILVA NETO

 

Em empresas de outrora e, ainda, em algumas do presente, reina o modelo “patrão-peão”, onde o “capo” se porta como um “capataz de fazenda”, definindo por si só as tarefas dos outros, com a exclusividade de “pensar”. Aos subordinados, resta “fazer” e “aí” de quem queira quebrar esta relação “manda quem pode, respeita quem tem juízo”.

Este modelo ultrapassado afasta talentosos e desestimula todos os demais, pois ninguém mais aceita trabalhar numa empresa em que o “chefão” não seja um líder, isto é, alguém que motiva, inspira e guia seus liderados.

O líder até mesmo um muito “firme”, enxerga a empresa e não o seu próprio ego. É aberto a seus colaboradores e incentiva a resolução conjunta de problemas, retendo talentos e tornando o empreendimento muito mais próspero, pois sabe que toda soma de competências, cognitivas ou laborais (braçais), é sinergética.

O que hoje se chama governança constitui um diferencial estratégico de empresas, pois assegura não só a eficácia da gestão, como, também em especial, a longevidade e a prevenção de conflitos em empresas familiares.

Isto porque a governança nada mais é do que um modelo de gestão que respeita todos os stakeholders (envolvidos), baseia-se nos seguintes princípios que devem ser compartilhados por todos de uma empresa.

Transparência – Disponibilização de todas as informações a todos.
Equidade – Tratamento participativo, justo e isonômico a todos.
Prestação de contas – Apresentação de dados por parte dos gestores e assunção integral das consequências de seus atos e omissões.
Responsabilidade corporativa – Zelo por parte dos gestores pela viabilidade dos negócios.

Para que um negócio familiar chegue a gerações seguintes, é imprescindível a implantação dos princípios da governança, através da profissionalização da empresa e mediante um processo colegiado de decisão, envolvendo todos da empresa, familiares ou não, pois destes se cria regras, diretrizes e estruturas que potencializam laços pessoais e profissionais e propiciam superior entendimento para a mitigação de conflitos de poder.

Ou seja, entre a base e o topo da pirâmide empresarial familiar, há que haver um participativo e eficaz nível gerencial que equilibre e amorteça os efeitos da emoção familiar em favor da razão(propósito) empresarial.


Fonte: Diario Catarinense - EMÍLIO DA SILVA NETO – Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, industrial, consultor, conselheiro e professor.

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