ALGO NOVO NO UNIVERSO DAS EMPRESAS FAMILIARES
22/08/2017


Por: EMÍLIO DA SILVA NETO
Doutor em Engenharia e
Gestão do Conhecimento,
industrial, consultor,
conselheiro e professor.


No Brasil, as empresas familiares representam 90% dos 300 maiores grupos nacionais privados, empregam mais de 60% da força de trabalho e surgiram logo após o país ser descoberto por Portugal, com as capitanias hereditárias (1534-1759), com o objetivo de colonizar o Brasil. No mundo todo, elas têm uma importância ímpar na história do capitalismo até os dias de hoje.


Uma empresa é considerada familiar quando uma ou mais famílias possuem a propriedade sobre a empresa, influenciam nas diretrizes da gestão estratégica, têm seus valores impregnados no negócio e determinam o processo sucessório. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, a idade média das empresas é de 8,7 anos, menos de 25% passam dos 14 anos de vida e apenas 1% dos 70 anos.

Segundo a pesquisa Next Gen 2016, da PwC, realizada em 31 países, incluindo o Brasil, há, contudo, algo novo no universo das empresas familiares: o comportamento dos herdeiros. Cada vez mais, as novas gerações dessas empresas pretendem trabalhar nas mesmas e se empenham em se qualificar para merecer a herança, como se disputassem postos com os executivos profissionais (não familiares). Para isso, tratam de desenvolver habilidades técnicas e interpessoais, seja em cursos, trabalhando em outras organizações, ou fundando e gerenciando startups, tudo para, no futuro, deixarem a marca na empresa herdada.

Guiados pela história, pela cultura e pelos valores da família, os jovens herdeiros vêm se envolvendo, desde cedo, com contribuições relevantes no quesito de estruturação e melhores práticas, bem como na construção de um rol de regras e normas que valerão para todos e que definirão como se organizará a família e a profissionalização da empresa. Isso reforça, nos jovens, o senso de dono e o seu empoderamento, alinhando-os em torno de um propósito único, algo diferente de outrora, quando os jovens se sentiam alijados das decisões do negócio.

Ademais, a constituição participativa, passo a passo, do que se chama Protocolo de Família transforma-se num acordo moral que garante a validade das regras e normas combinadas pela família empresária.

Toda esta abordagem da governança familiar, sistema responsável pela interface entre a família e os negócios, contribui para a coesão familiar, a formação dos sucessores e a garantia de que o legado passará à geração seguinte, preservando-se a história.

Enfim, todas as regras do empreendimento familiar devem, preferencialmente, ser criadas antes que sejam necessárias, isto é, enquanto as relações estão tranquilas e são poucos os parentes envolvidos. A antecedência aumenta bastante as chances de sucesso.

Afinal, o dito popular “pai rico, filho nobre, neto pobre” existe em quase todos os idiomas do mundo.
  
Fonte: Jornal Diário Catarinense, 18/08/2017.

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