Passagem do bastão na velocidade de cruzeiro.
03/08/2017


Chega uma hora em que o patriarca ou a matriarca de uma empresa familiar deve começar a pensar na passagem de bastão para a geração seguinte. Assim como nas provas esportivas de revezamento, a passagem do bastão não pode ser realizada em qualquer lugar da pista, havendo nessa, marcas que indicam a zona certa. Além disso, o atleta que vai receber o bastão deve começar a correr antes da zona de revezamento, focar os olhos no bastão, lembrar-se que esse não será lançado e sim compartilhado por algum tempo com o parceiro e, principalmente, que não se pode deixá-lo cair no chão, sob a pena de se perder o ritmo e, muito provavelmente, a competitividade.

Atualmente, com a expressiva evolução dos recursos em prol da saúde, em que a velhice pode ser vivida com espírito jovem, hábitos de jovem e imagem rejuvenescida, muitos empresários não conseguem reconhecer a chegada da hora da passagem do bastão, o momento de iniciar o processo intergeracional de continuidade do seu legado. O ciclo da vida composto de nascer-crescer-amadurecer-envelhecer-morrer leva inexoravelmente o empresário a buscar o momento adequado em um contexto que ele ainda esteja na sua velocidade de cruzeiro, na plenitude da capacidade física e cognitiva.

Lembrando que a etapa velocidade de cruzeiro é aquela do voo de uma aeronave compreendida entre o final da subida e o início da sua descida. A sucessão empresarial familiar não é a troca de uma peça velha por uma peça nova e, sim, um momento especial de pleno compartilhamento de conhecimento entre o sucedido e o seu sucessor. Esse processo só terá êxito se revestido de muito planejamento, sinergia, vontade e humildade das partes envolvidas.

A sucessão empresarial familiar há muito deixou de ser mera transmissão de poder entre gerações. É muito mais que isso. É um período em que o sucedido (o mentor) passa a assumir funções eminentemente estratégicas, a partir de sua experiência acumulada, deixando para o sucessor as funções táticas e operacionais do dia a dia, lado a lado, um apoiando o outro. Compartilhando conhecimento, o sucedido e o sucessor podem construir novos conhecimentos, alicerçados na máxima segundo a qual o conhecimento só é útil se aplicado na geração de valores ou, parafraseando Sócrates, se aplicado para melhorar o mundo.

Emílio da Silva Neto – Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, industrial, consultor, conselheiro e professor.

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